janeiro 27, 2005

Condição humana

Caem gotas de água
como navalhas afiadas.
Caem vidas em mágoa
pelas penas suportadas.

O grito primevo
que ao Homem deu essência
foi coisa de pouco relevo
feita com imprudência.
A chama que lhe aqueceu a alma,
de animalesca não passou;
O sopro que lhe insuflou o peito
era sopro fero de furação.

Ao estender a mão, olha para cima.
Verás sobre ti a ígnea presença
que tudo anima
mas que sem condolência
te fere e oprime a essência.

Se odiar o dia
é amar a noite,
amar a noite é amar a vida.
A vida sangrenta
que escorre fel
das feridas tapadas com mel
envenenado.

3 Comments:

Blogger miklas said...

Eu estou aqui com dificuldades em perceber este poema, há aqui qualquer coisa que me faz confusão e por isso vinha aqui pedir ao autor deste poema que tentasse explicar um pouco como se desenrola o poema, não sei se me entendes.

12:05 da manhã  
Blogger Daniel Cardoso said...

Certamente.
O poema tem várias partes.

Em primeiro lugar, a primeira quadra fala do sofrimento que as pequenas coisas nos fazem e de como esse mesmo sofrimento destrói vidas.

O segundo fala (metaforicamente) sobre a criação do homem, como acto de destruição e não de real criação.

Depois, o Sol. O horror do Sol.

Por fim, o paradoxo cruel. Quem não gosta do dia (da Luz) gosta da noite (da Escuridão) - ainda assim, não deixa de ter de gostar da tal vida irrelevante, destruidora e cruel. Pontos abordados nos outros versos.

11:55 da tarde  
Blogger miklas said...

Agora já percebi, obrigado pela clarificação do poema.

9:27 da manhã  

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